sábado, 24 de novembro de 2007

Vida.


O sol nasce em outro continente. As flores brotam. A borboleta sai de seu casulo.

Senti vontade de chorar e quase chorei.

Queria matar, mas não matei.

Quis voar e não voei.

Quis me perder em ruas, me afogar em um lago e ser engolida por um monstro.

Quis pular de pára-quedas,

Gritar com o mundo,

sumir em uma ilha,

pular todos os dias,

abraçar uma árvore,

voltar a ser criança,

abraçar um desconhecido,

amar loucamente,

achara a arca o tesouro,

perder 10 quilos,

achar a sorte,

descobrir que o futuro não existe,

que papai noel me deixará presentes debaixo da árvore de natal,

que a neve é de isopor,

que chorar trouxesse minha alegria de volta,

que jamais tivesse perdido minha inocência e o medo do escuro.

Quis pensar que não sou mais eu e que as pintas perdidas em meu corpo sumissem comigo.

Quis ser cega, surda e muda para todos mas não para mim.

Quis dizer que jamais saberei o que dizer e que sempre serei o que jamais somos,

que voltar ao espaço seria a melhor maneira.

Quis dormir, me perder em sonhos e nunca mais acordar.

Quis me trancar em meu quarto e não mais sair,

me enfiar em um buraco e ser feliz lá.

Pensei em fugir de casa e dormir com o inimigo.

Pensei em roubar um ovo e dizer que é meu filho.

Pensei em dizer ao mundo que eu jamais existi e argumentar que o silêncio saberá me dizer quem é.

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