
O sol nasce em outro continente. As flores brotam. A borboleta sai de seu casulo.
Senti vontade de chorar e quase chorei.
Queria matar, mas não matei.
Quis voar e não voei.
Quis me perder em ruas, me afogar em um lago e ser engolida por um monstro.
Quis pular de pára-quedas,
Gritar com o mundo,
sumir em uma ilha,
pular todos os dias,
abraçar uma árvore,
voltar a ser criança,
abraçar um desconhecido,
amar loucamente,
achara a arca o tesouro,
perder 10 quilos,
achar a sorte,
descobrir que o futuro não existe,
que papai noel me deixará presentes debaixo da árvore de natal,
que a neve é de isopor,
que chorar trouxesse minha alegria de volta,
que jamais tivesse perdido minha inocência e o medo do escuro.
Quis pensar que não sou mais eu e que as pintas perdidas em meu corpo sumissem comigo.
Quis ser cega, surda e muda para todos mas não para mim.
Quis dizer que jamais saberei o que dizer e que sempre serei o que jamais somos,
que voltar ao espaço seria a melhor maneira.
Quis dormir, me perder em sonhos e nunca mais acordar.
Quis me trancar em meu quarto e não mais sair,
me enfiar em um buraco e ser feliz lá.
Pensei em fugir de casa e dormir com o inimigo.
Pensei em roubar um ovo e dizer que é meu filho.
Pensei em dizer ao mundo que eu jamais existi e argumentar que o silêncio saberá me dizer quem é.
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