quarta-feira, 31 de outubro de 2007

As estrelas

Ela olha janela a fora... as estrelas cintilam, a brisa conforta e a Lua deixou-a aquela noite.
Há espirais pela sala e ela se pergunta o que irá fazer para o jantar.... Talvez faça rúcula, pois é sua vontade.
Ao tomar uma lata de cerveja, fala ao telefone. Diria que sentiu o peso da saudade.
Na TV passa desenho... mas ela não presta atenção nisso, sua mente divaga...
Há um vasto gramado que a neve encobre e faz com que o nariz fique gélido. A lareira acesa fornece calor que diverte quem a olha (está azulada).
Passa a mão no cabelo desconcertada.
Amanhã talvez, ela recolha as roupas e devolva o livro que ganhou.
Amanhã ou até algum dia, talvez, ela acorde.

domingo, 7 de outubro de 2007

A miniatura

[...]
Bel é divertida, conta dos filhos que vivem se estapeando. Fala do marido também. Ela bebeu de mais e fala mal deste marido, sem freios. Meu marido só ajuda com dinheiro, todo fim de mês o dinheiro está lá, antes ele não era assim, quando começamos a namorar eu era apaixonada, ele fazia cócegas na minha nuca, muitas cócegas. Bel continua a beber e a falar. O problema é que ele esqueceu que eu tenho nuca, esqueceu das cócegas, esqueceu que eu tenho boca, esqueceu que eu tenho pernas, nariz, orelha, ele não sabe nada sobre preliminares, aí está o segredo do universo, as preliminares. Orgasmo não é tão fundamental como as preliminares, eu morreria por uma boa preliminar, viva as preliminares!


[...]


Acho inclusive que cada pessoa deveria fazer um mapa do próprio corpo, destacando em cores as áreas mais sensíveis ao toque, em outras cores as partes não tão sensíveis, enfim, uma espécie de manual.


[...]

Devaneio




[...]




Estava no centro da cidade, sentada em um banco onde se passava varias pessoas que saiam de seus respectivos trabalhos rumo a suas casas. Pensava em tudo e ao mesmo tempo pensava em nada, sentada ali observava as pessoas passarem e prestava atenção incansavelmente em como andavam, agiam e se vestiam.


Catherine tinha um conceito básico e próprio da personalidade de cada pessoa; olhava as orelhas de mulheres e se continha um brinco pequeno assim como ela própria gostava de usar, era uma mulher reservada e romântica e dependendo de algumas eram até tímidas; as que usavam brincos grandes eram pessoas extrovertidas e sedutoras, e as que não usavam brinco eram pessoas desleixadas e bastante práticas.


Já os homens, ela olhava para o sapato, é o mesmo conceito que os brincos, se eram conservados, bastante usados ou quando dava para perceber que os sapatos estavam sempre novos.




Ela olhava uma mulher que passava rapidamente a sua frente e pensava como era a vida dela, se era melhor ou pior do que a dela própria, o que iria fazer agora que saiu do trabalho?


Iria beijar o marido e os filhos quando chegasse em casa?


Ou entrar em seu apartamento e ir direto ao banheiro tomar um banho, já que mora sozinha?


Catherine gostava de tentar adivinhar a vida das pessoas e inventar historias da rotina delas, já que a sua não era grande coisa.


[...]

sábado, 6 de outubro de 2007

O tratamento silencioso


Como é viver em silêncio por alguns dias?

É o titulo de uma reportagem da revista Seleções do mês passado que "surrupiei" de minha mãe.

Trata-se basicamente de um retiro de silêncio (uma Abadia).

"Eles também vêm em busca de respostas para alguma questão ou apenas para descansar em um ambiente tranqüilo." - Diz a pessoa que fez a reserva a visitante da reportagem.


Penso em fim que eu adoraria ir para um lugar destes, principalmente em dias que prefiro ficar só e tem sempre aquele que faz questão de te azucrinar.


"No segundo dia, concluí que o silêncio absoluto - a ausência de qualquer ruído - seria possível apenas se a pessoa fosse 100% surda." - diz a visitante.


Não acho que seja impossível se for só por alguns dias, pois, em minha opinião o silêncio devia ser apreciado, principalmente aqui em São Paulo, que o mundo gira a cada milésimo.


O silêncio em si é algo que você hoje em dia paga pra ver alguém conseguir ficar a sós com sigo mesmo sem se entediar e ir a frente do computador.


Não vou dizer que me suporto e que me adoro como pessoa, pois é simplesmente o contrario. Mas com toda a vida corrida que temos, as merdas que temos que aturar, e as frustrações que a vida nos trás a melhor coisa é ficar sozinha em um parque, vendo as pessoas passarem, ouvindo conversas alheias, brisando a olhar uma árvore ou apenas lendo um bom livro.


A coisa melhor que isso?

A merda de uma vida


É são 10 horas da manhã e ainda nem consegui dormir direito.

E ai? Pergunto-me eu.Como posso não dormir se só tenho hoje e amanhã para descansar??

É .... não aguento mais essa vida;

eu que era sedentária, que não fazia nada da vida, só queria dormir e ler meus livros trancada em meu quarto, hoje me acabo tentando conciliar escola e trabalho (olha que é apenas um estágio de cinco horas diárias). Se não estou aguentando agora imagine quando for para eu trabalhar de verdade.


Não sou de pensar muito no futuro, viajo em minhas fantasias e por isso tirei ZERO em geografia,

ô infelicidade! nunca tirei uma nota tão ruim!


O que vou ser quando crescer?

Qualquer coisa que me deixe quietinha em meu canto.


O sono bate agora e vou tentar dormir.