segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ênfase


Amanhã é meu último dia de aula. Deste ano acabo o segundo colegial, se quiser arredondar, dez anos indo para a escola. Nunca senti nada satisfatório ir a escola, e quando olho para trás é uma eternidade maior do que o infinito. Não o tempo em si, mas a diferença do contexto onde estou inserida, a pessoa bastante diferente que me tornei, aquela coisa toda. Evolução natural, como sempre, mas em retrospecto sempre fico meio assustada de só olhar por cima.

Hoje poderá ser o último dia do princípio da minha vida. Ou seja, talvez tudo mude de acordo com a motivação inserida pela qual poderia se ter.

As mudanças que sempre ocorreram e tornam de mim o que sou, não me trouxeram espanto, trouxeram questionamentos, da qual sempre pergunto se outro caminho diferente que poderia ter seguido mudaria toda a minha personalidade e todo o contexto de minha vida.

Por partes de meus pensamentos abstractos, de minhas constantes fantasias e imaturidades. As minhas ausências e falta de incoerência. Mas pensar que não sou perfeita trás por trás das descobertas soberbas a realidade fervente e única de meu ser.

Gosto de pensar que só faltam-me asas pois lembro-me em dias sentada em praças em que as folhas rodopiam em círculos por entre as estátuas e os bancos dos jardins, ao vazio quente dos tristes dias em que a solidão batia, mas a imaginação preenchia.

Prefiro os dias de outono e inverno, pela sensação do regresso ao escuro, que a meu ver favorece e lhe confere a sua verdadeira essência. O cheiro da chuva, a escuridão prematura, os silêncios, a evocação do antigo, o convite à poesia, tudo me ajuda a esquecer o marasmo a que votaram esta terra.

Não é que se te tenha tristeza plantada, pelo contrario a felicidade vai de acordo as necessidades a que lhes convêm. Estatos de maravilhas, felicidades continuas.

Nenhum comentário: