
Quem são eles?
Figuras pintadas de negro
Por humanos egoístas
Marchando com seus cavalos de pedra
Chorando lágrimas de sangue
Senhores da morte?Talvez, pois não conheceram a vida
A vida que lhes foi roubada
Pela grande torre no além
Vibrações de melodias cortam os ares
A terra, farta de ser pisada, reclama
E todo o mundo torna-se num manto negro
Impenetrável…Quem marcha e canta esta bela sinfonia?
Serão os anjos da morte?
Os deuses caídos?
Os atormentados?
Sim, são eles
Cavalgando seus lindos cavalos
Negros como as cinzas
Olhos vermelhos como o sangue…
Tocando suas trombetas
Anunciando o final
E fazendo os mortos agitarem-se nas tumbas
Temendo o mal…
O Apocalipse ou a Ascensão dos Atormentados…
Adeus belos seres
Que cometeram o erro de julgar serem eternos
Que sua raça permaneça sobre o seio da pobre Mãe terra
A Nova Era vai começar!
E lá vão eles…Arrancando a alma dos homens…
Deliciando-se com suas maravilhas
Um por um sucumbiram…
Isto tudo por causa da grande torre
Que decide quem é o senhor e os servos
Que decide quem tem alma
E quem a finge ter…
Mas para mim que me importa?
Não é a primeira vez que presencio isto
O objecto tornar-se no possuidor
E o possuidor tornar-se num comum objecto
Fantoche nas mãos de uma estúpida criança
Que se encanta com seus movimentos
E aprende a não chorar
Quando estes derramam sangue
Nada muda, a minha monotonia continua
Nem sei porquê que os cavaleiros querem ter alma, coração e ser grandes
Se algum dia irão também cair…
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Pobre de ti que julgastes ser livre,
Que teu manto era dos mais belos,
Que teus olhos valiam mais que diamantes.
Observa,
É a única coisa que te peço.
Observa aquela rapariga
Que brinca com as folhas
E finge ser fada.
Que tem ela melhor que tu?
Asas, belas e sublimes,
Feitas com sua imaginação,
Tão grandes e tão ilustres
Que a mais bela princesa
A seus olhos nada é.
Hoje enclinei-me sobre a varanda pintada de castanho da minha casa e fiquei ali, de pé, a ouvir as histórias que o vento me contava. Ou, para ser mais precisa, a fingir ouvir histórias pois, tal como Fernando Pessoa disse, o vento só fala de si mesmo, caso contrário não seria vento, e quem disse que ele fala das montanhas, dos rios e das árvores é mentiroso... Mas não acredito que Fernando Pessoa esteja correcto Para mim, o vento é apenas vento e eu adoro-o por causa disso. Ele não me conta histórias sobre montanhas, rios e árvores, mas também não me fala de si mesmo e quem me dizer isto também é mentiroso...
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Minha alma perdida
Vagueia por caminhos incertos
Pálida como um fantasma,
Feita louca por descobrir
Uma brecha para este mundo
Com anseio de se unir a mim
Pois uma alma sem corpo
É o mesmo que estar morto.
Mas como conseguirá ela chegar até mim?
Projectando-se nos meus sonhos,
Desmaterializando o seu ser?
A mim parece-me que não...
Ela vai ter de dizer adeus,
Acabar por Desistir
E Sufocar-se num foco de solidão,
Pois só assim dará espaço para que eu me liberte
E me una a ela.
Quem sabe?
No poço mais fundo dos infernos…