sábado, 5 de janeiro de 2008




Quem são eles?

Figuras pintadas de negro

Por humanos egoístas

Marchando com seus cavalos de pedra

Chorando lágrimas de sangue

Senhores da morte?Talvez, pois não conheceram a vida

A vida que lhes foi roubada

Pela grande torre no além

Vibrações de melodias cortam os ares

A terra, farta de ser pisada, reclama

E todo o mundo torna-se num manto negro

Impenetrável…Quem marcha e canta esta bela sinfonia?

Serão os anjos da morte?

Os deuses caídos?

Os atormentados?

Sim, são eles

Cavalgando seus lindos cavalos

Negros como as cinzas

Olhos vermelhos como o sangue…

Tocando suas trombetas

Anunciando o final

E fazendo os mortos agitarem-se nas tumbas

Temendo o mal…

O Apocalipse ou a Ascensão dos Atormentados…

Adeus belos seres

Que cometeram o erro de julgar serem eternos

Que sua raça permaneça sobre o seio da pobre Mãe terra

A Nova Era vai começar!

E lá vão eles…Arrancando a alma dos homens…

Deliciando-se com suas maravilhas

Um por um sucumbiram…

Isto tudo por causa da grande torre

Que decide quem é o senhor e os servos

Que decide quem tem alma

E quem a finge ter…

Mas para mim que me importa?

Não é a primeira vez que presencio isto

O objecto tornar-se no possuidor

E o possuidor tornar-se num comum objecto

Fantoche nas mãos de uma estúpida criança

Que se encanta com seus movimentos

E aprende a não chorar

Quando estes derramam sangue

Nada muda, a minha monotonia continua

Nem sei porquê que os cavaleiros querem ter alma, coração e ser grandes

Se algum dia irão também cair…


****




Pobre de ti que julgastes ser livre,

Que teu manto era dos mais belos,

Que teus olhos valiam mais que diamantes.

Observa,

É a única coisa que te peço.

Observa aquela rapariga

Que brinca com as folhas

E finge ser fada.

Que tem ela melhor que tu?

Asas, belas e sublimes,

Feitas com sua imaginação,

Tão grandes e tão ilustres

Que a mais bela princesa

A seus olhos nada é.
Hoje enclinei-me sobre a varanda pintada de castanho da minha casa e fiquei ali, de pé, a ouvir as histórias que o vento me contava. Ou, para ser mais precisa, a fingir ouvir histórias pois, tal como Fernando Pessoa disse, o vento só fala de si mesmo, caso contrário não seria vento, e quem disse que ele fala das montanhas, dos rios e das árvores é mentiroso... Mas não acredito que Fernando Pessoa esteja correcto Para mim, o vento é apenas vento e eu adoro-o por causa disso. Ele não me conta histórias sobre montanhas, rios e árvores, mas também não me fala de si mesmo e quem me dizer isto também é mentiroso...


****




Minha alma perdida

Vagueia por caminhos incertos

Pálida como um fantasma,

Feita louca por descobrir

Uma brecha para este mundo

Com anseio de se unir a mim

Pois uma alma sem corpo

É o mesmo que estar morto.

Mas como conseguirá ela chegar até mim?

Projectando-se nos meus sonhos,

Desmaterializando o seu ser?
A mim parece-me que não...

Ela vai ter de dizer adeus,

Acabar por Desistir

E Sufocar-se num foco de solidão,

Pois só assim dará espaço para que eu me liberte

E me una a ela.

Quem sabe?

No poço mais fundo dos infernos…


Nenhum comentário: